Sinopse

Nos seus tempos de cônsul em Inglaterra e França, Eça de Queirós endereçou a Ramalho Ortigão algumas cartas sobre um romance que tencionava escrever, prevendo o seu êxito retumbante e deliciando-se com o escândalo que provocaria na sociedade portuguesa, que detestaria ver a Pátria retratada como uma nação miserável à boleia do mundo e humilhada por uma invasão espanhola, mesmo que isso acabasse por regenerá-la. É a partir dessas cartas e de um conto que Eça deixou incompleto («A Catástrofe») que Mário Cláudio constrói o presente romance, colocando, aliás, no centro da intriga, o escritor oitocentista lutando quotidianamente com as angústias da criação literária. Mas, se em vida a obra ficou pelo caminho, na ficção ela vai-se cumprindo página a página, para gáudio dos leitores que, assim, poderão assistir aos últimos vinte anos da vida de Eça, doente e cansado como o seu Portugal decadente, e à grande prosa de Mário Cláudio que, dialogando magistralmente com a obra queirosiana, nunca corre o perigo de se deixar contaminar.

Detalhes do Artigo

  • ISBN: 9789722068192
  • Editor: DOM QUIXOTE
  • Data de publicação: agosto 2019
  • Páginas: 160
  • Dimensões: 23,5 x 15,6 x 1,1 cm

Sobre o Autor

MÁRIO CLÁUDIO

Mário Cláudio nasceu no Porto. Ficcionista, poeta, dramaturgo e ensaísta, é formado em Direito pela Universidade de Coimbra, diplomado com o Curso de Bibliotecário-Arquivista, da Faculdade de Letras da mesma Universidade, e Master of Arts em Biblioteconomia e Ciências Documentais, pela Universidade de Londres. É autor de uma vasta e multifacetada obra que abarca a ficção, a crónica, a poesia, a dramaturgia, o ensaio, a literatura infanto-juvenil, e se encontra traduzida em várias línguas. Foi galardoado com, entre outros, o Grande Prémio de Romance e Novela da Associação Portuguesa de Escritores-DGLAB (atribuído por três vezes), o Prémio de Ficção do P.E.N. Clube, o Prémio Eça de Queiroz, o Prémio Vergílio Ferreira, o Prémio Literário Fernando Namora e o Prémio Pessoa, sendo igualmente titular de várias condecorações nacionais e estrangeiras. Em 2019 foi-lhe atribuído o título de Doutor Honoris Causa pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto e a Sociedade Portuguesa de Autores apresentou-o recentemente como candidato ao Prémio Nobel de Literatura. A sua obra ficcional, não raro composta por trilogias, inclui títulos como Amadeo, Guilhermina, Rosa, Gémeos, Camilo Broca, Tiago Veiga: Uma Biografia, Retrato de Rapaz, Astronomia, Tríptico da Salvação, Teoria das Nuvens, Diário Incontínuo e Cruzeiros de Inverno. A sua poesia foi reunida num único volume intitulado Doze Mapas e a Sociedade Portuguesa de Autores homenageou-o com um livro de entrevistas para comemorar os seus 50 anos de vida literária. É também autor de letras para fado.

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