O retrato de uma vida marcada pela perda, pela procura de sentido e por uma paixão que se revela a sua maior prisão.
Philip Carey cresceu sem pais e com uma limitação física que, desde cedo, moldou a sua relação com o mundo. Criado pelos tios na rigidez sufocante de uma casa paroquial inglesa, é ainda um jovem tímido e inseguro quando parte para um colégio interno. A sua mente curiosa acabará por levá-lo mais longe, das academias de arte de Paris aos hospitais londrinos e às mesas de café onde se desperdiçam anos e talentos. Na sua busca por romper o isolamento que sempre o caracterizou, Philip vai descobrindo a complexidade da vida humana. No centro desse percurso, uma mulher - Mildred, banal e indiferente -, a quem ele não consegue deixar de amar, embora reconheça, lúcida e inutilmente, que esse amor o destrói. Servidão Humana, obra-prima de Somerset Maugham e um dos romances mais emblemáticos da literatura contemporânea, continua a interpelar-nos com a sua penetrante exploração da condição humana na sua nudez mais essencial: a distância entre o que desejamos ser e o que somos; entre o que sabemos e o que, ainda assim, escolhemos. Porque a verdadeira servidão não tem correntes. Tem apenas o rosto daquilo a que não conseguimos renunciar.