Sinopse

Rasgam as entranhas do meu corpo palestiniano frases e palavras em português, um idioma que ainda vou aprendendo. Resisto com toda a força, só algumas conseguem escapar. Aperto os lábios diante da impossibilidade de falar do meu corpo que não é, do seu lugar que é nunca. Não digo a nenhuma alma que não distingo o «cá» do «lá». Nem que as línguas e os desejos acontecem em mim em simultâneo. Não consigo, não consigo, não consigo soletrar o nome árabe de quem morreu ontem em Gaza, nem no dia seguinte. Fecho a boca perante o caminho da história da minha família que foi expulsa da sua terra após a catástrofe palestiniana Nakba, em 1948. Coloco a mão à frente da minha voz para evitar um erro de português, enquanto conto uma piada ou até um sonho de liberdade, mesmo se toda a liberdade. Não declamo nada. Aguento um golpe atrás de outro de um verso que me quis abandonar. Mantenho o silêncio. «Este será o primeiro livro palestiniano da poesia portuguesa. Ou vice- versa? Shahd Wadi fez de Portugal a sua morada - até que ir para casa seja possível. Enquanto a Palestina estiver ocupada, o mundo é a Palestina.» ALEXANDRA LUCAS COELHO

Detalhes do Artigo

  • ISBN: 9789722133265
  • Editor: CAMINHO
  • Data de publicação: fevereiro 2025
  • Formato eBook: EPUB
  • Acessibilidade:

Sobre o Autor

SHAHD WADI

Shahd Wadi é palestiniana, entre outras possibilidades, mas a liberdade é sobretudo palestiniana. Procurou as suas resistências ao escrever a primeira dissertação de doutoramento em Estudos Feministas do país, pela Universidade de Coimbra, que serviu de base ao livro Corpos na Trouxa: histórias-artísticas-de-vida de mulheres palestinianas no exílio (Almedina, 2017). Entre as publicações mais recentes, é coautora nas antologias Volta Para Tua Terra: Não Há Abril Sem Imigrantes (Urutau, 2024) e Ask the Night for a Dream: Palestinian Writing from the Diaspora (Palestine Writes, 2024). Exerce a sua liberdade no que faz, viajando entre escrita, curadoria, investigação, tradução, performance e consultorias artísticas. Foi nomeada recentemente Escritora Universal Galega de 2025. Na sua escrita e investigação aborda a ocupação israelita da Palestina e considera as artes um testemunho de vidas. Também da sua. 

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