Num país nunca nomeado, mas africano de gema, o ditador aquece o lugar por quase quarenta anos, recusando eleições, neutralizando os concorrentes, enriquecendo para lá do aceitável à custa da miséria do seu povo. Ora, se este Presidente nos lembra alguém, é porque o romance se inspira assumidamente na insanidade, na cleptocracia e no abuso de personagens reais (e são muitos!) como Kumba Yalá (Guiné Bissau), José Eduardo dos Santos (Angola), Mobutu (Zaire) ou o terrível Bokassa (República Centro- Africana) que se coroou imperador em 1984, retratando também o horror das guerras civis pós-independência e o genocídio do Ruanda, bem como a subserviência do povo, a fome e o desgoverno crasso que enfestam muitos países em África e constituem hoje talvez a principal causa do seu atraso. Nesta ficção, porém, as mulheres cansam-se do «afrocalipse» vivido há décadas e ajudam a mudar a história. Mas nem é só neste facto que reside a novidade: ela está presente na linguagem inventiva e belíssima com que o autor fala de coisas, afinal, tão feias e também na circunstância de ser o primeiro escritor de África a assacar aos próprios africanos parte da responsabilidade pelas desgraças sociais e pelo descalabro dos Direitos Humanos. Este é um livro poético, irónico e cheio de humor, como são sempre as obras de Mário Lúcio Sousa, com pinceladas sobre assuntos muito sérios que interessam a todos os leitores.
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Sinopse
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Detalhes do Artigo
- ISBN: 9789722089272
- Editor: DOM QUIXOTE
- Data de publicação: junho 2026
- Páginas: 272
- Formato eBook: EPUB
- Acessibilidade:
Sobre o Autor
MÁRIO LÚCIO SOUSA
Mário Lúcio Sousa nasceu em 1964, no Tarrafal, Ilha de Santiago, Cabo Verde. Licenciou-se em Direito na Universidade de Havana. Foi deputado ao Parlamento e Ministro da Cultura e Artes de Cabo Verde. É uma das figuras mais reconhecidas da cena literária e musical cabo-verdiana e o escritor mais premiado no seu país, considerado o criador de uma nova linguagem que resgata o português arcaico para a língua crioula. É autor de vários livros de poesia, ficção, ensaio e teatro e publicou nesta chancela os romances O Novíssimo Testamento (Prémio Carlos de Oliveira 2010); Biografia do Língua (Prémio Miguel Torga 2015 e Prémio PEN Clube de Narrativa 2016), O Diabo Foi Meu Padeiro, A Última Lua de Homem Grande (finalista do Prémio LeYa 2022 e do Prémio Oceanos 2023 e escolhido para o plano Nacional de Leitura em Portugal) e O Livro Que Me Escreveu. Gravou mais de dez álbuns musicais e recebeu vários prémios e condecorações.