No segundo volume de Little Dorrit - intitulado Riches - a inesperada fortuna herdada pela família Dorrit parece abrir as portas de uma nova vida, longe da humilhação da prisão de Marshalsea e da miséria que marcara os anos anteriores. Amy Dorrit, porém, continua a mesma figura discreta e silenciosa, incapaz de se adaptar inteiramente ao brilho artificial da nova condição social. Enquanto o pai se deixa consumir pela vaidade e pela obsessão aristocrática, procurando apagar o passado de pobreza, Amy permanece ligada a Arthur Clennam, cuja própria existência começa lentamente a afundar-se em crises financeiras, segredos familiares e desilusões morais. Dickens constrói assim um espelho cruel: a riqueza não liberta verdadeiramente nenhuma destas personagens. À medida que o romance avança, as intrigas em torno da misteriosa Senhora Clennam, do sinistro Rigaud e da omnipresente burocracia inglesa convergem para uma sucessão de revelações cada vez mais inquietantes. O universo social de Dickens surge como um labirinto onde todos são prisioneiros - da dívida, do orgulho, da culpa, da hipocrisia ou das convenções sociais. Em Riches, o autor transforma o romance numa meditação amarga sobre o dinheiro e a ilusão de ascensão social: os ricos vivem tão encarcerados como os pobres, apenas em prisões mais elegantes. Mas, quando antigos segredos começam finalmente a emergir das sombras, a estabilidade recém-adquirida dos Dorrit ameaça ruir de forma inesperada. Entre ruínas morais, catástrofes financeiras e verdades ocultas durante décadas, Arthur Clennam e Amy Dorrit aproximam-se lentamente de um momento decisivo que poderá alterar para sempre o destino de ambos. Publicado originalmente em fascículos mensais entre 1855 e 1857, Little Dorrit é hoje considerado um dos romances mais sombrios, complexos e politicamente ferozes de Charles Dickens. A obra vendeu-se em dezenas de milhares de exemplares ainda durante a serialização e foi rapidamente traduzida em várias línguas europeias. Muitos leitores vitorianos ficaram desconcertados com o tom mais amargo do romance, e alguns críticos da época chegaram a considerá-lo excessivamente sombrio; décadas mais tarde, porém, autores como Franz Kafka e críticos modernos reconheceram nele uma das grandes obras-primas da literatura sobre a opressão burocrática e psicológica. Dickens inspirou-se parcialmente nas memórias do encarceramento do próprio pai na prisão de Marshalsea, experiência que o marcou profundamente durante a infância. A célebre "Circumlocution Office", caricatura da burocracia britânica cuja função consiste essencialmente em impedir que algo seja feito, tornou-se uma das sátiras administrativas mais famosas da literatura inglesa.
Sinopse
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Detalhes do Artigo
- ISBN: 9789899328334
- Editor: E-PRIMATUR
- Abrangido pela Lei do Preço Fixo: Não
- Formato eBook: EPUB
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