Um romance notável pela sua contenção ao falar de temas extremamente difíceis com extraordinária elegância, um bom retrato da juventude contemporânea.
Na Praceta das Tílias, onde as pessoas mal se veem na azáfama dos dias, ninguém sabe o que acontece na porta ao lado. É entre quatro paredes que nasce esta história. Esmeralda esforça-se por ser a mãe que lhe faltou em criança e por dar à filha o que não teve. E Teresa parece ter tudo para ser uma adolescente feliz. Porém, uma descoberta perturbadora estilhaça a harmonia familiar e põe à prova os laços entre mãe e filha. Ao contrário da sua amiga Teresa, Ana Lurdes cresce desamparada numa casa onde o amor não entra, refugiando-se nos poemas que escrevinha nas aulas. Já Sebastião, que guia um táxi pela cidade, anda desnorteado desde a morte da mulher; quem o segura é Olívia, a filha sempre atenta ao que a rodeia - sobretudo quando observa Teresa da janela do seu quarto e desenha o que mais ninguém vê. E Lúcia julga que tem tudo controlado, até ao dia em que sofre um ataque violento; mas, quando volta à casa da infância para se restabelecer, percebe que o maior perigo, afinal, vem de onde menos esperava. A turbulência que abala todas estas personagens levanta o pó do que está para trás, deixando a descoberto cicatrizes e segredos. E, quando tudo falha, até os vínculos mais fortes se podem romper. Uma Porta de Vidro entre o Céu e o Inferno - o quarto romance da autora já duas vezes finalista do Prémio LeYa - é uma obra notável pela sua contenção ao falar de temas extremamente difíceis com extraordinária elegância. Surpreende até à última página e oferece-nos um bom retrato da juventude contemporânea.