Numa campanha eleitoral, a boca de cena é pensada com cuidado. A cenografia, o enredo, o ritmo... quase tudo é concebido num longo trabalho de bastidores. Mas, na verdade, o resultado é, quase sempre, fruto de improvisos que tornam incerto o desenlace da história. Riso, drama, capacidade de resposta, espíritos gélidos ou almas frenéticas... de tudo se sente e se vive com emoção nos bastidores de uma campanha eleitoral. Por isso, são fonte de múltiplas histórias. De segredos, de gente que se revela ou definha. De muitas e diversas relações humanas. Numa campanha eleitoral, guarda-se mais do que se mostra, do que aparece na boca de cena. Pertencer ao inner circle de uma campanha, mais ainda como fotógrafa, oferece perspetivas únicas, reveladoras de um pulsar genuíno. A oportunidade de captar as histórias, a expressão única de quem passa, o fortuito, o inesperado, o divertido e o momento tão pesado que embacia a lente. Em alguns momentos, são apenas o fotógrafo e o candidato. Ana Rocha Nené e António José Seguro. Este livro mostra essa campanha espantosa e repleta de histórias. Ana e António não se conheciam, mas, como ambos escrevem no livro, isso não foi um problema. Pelo contrário, permitiu a construção de uma forma de estar que só os dois verdadeiramente compreendiam e que as imagens reproduzem. Se o Presidente da República é o óbvio protagonista, com retratos de bastidores nunca antes mostrados, também os lugares, os teatros, as ruas e as pessoas merecem destaque no livro. As imagens foram quase todas captadas entre outubro de 2025 e fevereiro de 2026. Várias foram publicadas em formato digital, mas ganham no livro outra vida, formato distinto, uma respiração que o ecrã não autoriza.
Sinopse
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Detalhes do Artigo
- ISBN: 9789895818976
- Editor: CASA DAS LETRAS
- Data de publicação: novembro 2026
- Abrangido pela Lei do Preço Fixo: Sim
- Tipo de capa: Mole
- Páginas: 212
Sobre o Autor
ANA ROCHA NENÉ
Foi no Conservatório de Dança que aprendi a decifrar o corpo como linguagem, muito antes de aprender a fazê-lo com palavras. Percorri palcos e geografias distintas, levei Portugal comigo, e trouxe de cada lugar uma nova gramática de movimento. Fotografar tornou-se, também ele, um exercício coreográfico. Só que, desta vez, o corpo em cena já não era o meu. E se a dança e a fotografia são, à primeira vista, artes distintas, cedo percebi que ambas se sustentam na mesma matéria: a expressão, o movimento, a persistência de quem repete o gesto até o tornar perfeito. É sobretudo no olhar que as duas artes se encontram: um olhar que vem de dentro, que não se ensaia nem se finge, e que é, ainda assim, o mais difícil de captar. Foi esse mesmo olhar que fui aprendendo a reconhecer, fotografia após fotografia, na relação que gradualmente construí com o Presidente António José Seguro. Uma relação feita de poucas palavras, mas de muita cumplicidade, subtil na forma, coesa na essência, como só se constrói quando duas pessoas aprendem, sem pressa, a confiar uma na outra.