Uma sucessão de visitas amorosas, máscaras, desejos e fantasias onde Alfred Jarry transforma o erotismo num laboratório de imaginação, ironia e inquietação moderna. Em O Amor em Visitas, Alfred Jarry conduz o leitor através de uma série de encontros sentimentais e eróticos que oscilam continuamente entre a sátira, a fantasia e o delírio poético. As personagens surgem como figuras quase abstractas, criaturas movidas por impulsos contraditórios, presas de uma sensualidade simultaneamente mecânica e sonhadora. O amor aparece menos como sentimento estável do que como jogo de aparições, deslocamentos e experiências extremas, numa atmosfera em que o absurdo convive com uma estranha elegância decadentista. Ao longo do livro, Jarry dissolve as fronteiras entre realidade, imaginação e representação teatral. As "visitas" amorosas tornam-se episódios de metamorfose contínua: o desejo muda de forma, a identidade vacila e o humor negro atravessa mesmo os momentos mais líricos. Sob a aparência de fantasia libertina, a obra esconde uma reflexão profundamente moderna sobre o corpo, a obsessão, o automatismo das relações humanas e a artificialidade dos códigos sociais. A linguagem de Jarry, simultaneamente precisa e extravagante, cria um universo onde o grotesco e o refinamento coexistem sem contradição. Este livro ocupa um lugar singular no conjunto da obra de Alfred Jarry e costuma ser associado ao período em que o autor desenvolveu as vertentes mais imaginativas, eróticas e experimentais da sua ficção. Surge em diálogo com obras como Le Surmâle e Messaline, formando uma espécie de tríptico informal em torno do desejo, da desmedida e da mecanização do amor. Nestas obras, Jarry afasta-se progressivamente do simbolismo tardio para antecipar linguagens que mais tarde seriam reconhecidas no surrealismo, no teatro do absurdo e mesmo em certas correntes da ficção científica especulativa. A influência de Jarry sobre a literatura e a arte do século XX foi imensa. André Breton colocou-o entre os grandes precursores do surrealismo, ao lado de Lautréamont e Rimbaud. Guillaume Apollinaire admirava profundamente a liberdade verbal e imaginativa da sua obra, enquanto autores posteriores como Marcel Duchamp, Antonin Artaud e Boris Vian reconheceram nele um dos grandes destruidores das convenções artísticas modernas. Breton via em Jarry um mestre do «humour noir» e da imaginação libertada das regras racionalistas. Jacques Vaché recordava-o como uma figura decisiva da modernidade literária, e Annie Le Brun descreveu a influência de Jarry como «considerável» sobre o imaginário surrealista.
Sinopse
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Detalhes do Artigo
- ISBN: 9789899328181
- Editor: LIVRO B
- Abrangido pela Lei do Preço Fixo: Não
- Formato eBook: EPUB
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