Sinopse
Sob o tema dos funerais mitológicos, em 1962, Gabriel García Márquez reuniu num pequeno volume sete contos e a curta novela que lhe dá o título. Neste livro aparece já, em todo o seu esplendor, o elemento mágico e telúrico que a partir daí definirá a sua obra. Estamos uma vez mais em Macondo e na sua região, entre episódios e personagens reconhecíveis, numa série de contos impossíveis de esquecer. No último texto é preciso enterrar a Mamã Grande, soberana absoluta deste mundo, que faleceu com a fama de santidade aos 92 anos e a cujos funerais compareceu não só o Presidente da República, como até o Supremo Pontífice, na sua gôndola papal, além de camponeses, contrabandistas, cultivadores de arroz, prostitutas, feiticeiros e bananeiros, que ali se deslocaram propositadamente. Os seus bens, que datavam da época da conquista, eram incalculáveis. Abarcavam cinco municípios, 352 famílias e também a «riqueza do subsolo, as águas territoriais, as cores da bandeira, a soberania nacional, os partidos tradicionais, os direitos do homem, as liberdades dos cidadãos, o primeiro magistrado, a segunda instância, o terceiro debate, as cartas de recomendação», etc. Demora três horas a enumeração dos bens terrenos da Mamã Grande. Os seus herdeiros, no momento em que retiram do interior da casa o cadáver da defunta, fecham as portas e começam vorazmente a repartir a herança.
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Detalhes do Artigo
- ISBN: 9789722031554
- Editor: DOM QUIXOTE
- Data de publicação: janeiro 2009
- Páginas: 144
- Dimensões: 23,3 x 15,4 x 0,7 cm
Sobre o Autor
GABRIEL GARCÍA MÁRQUEZ
Gabriel García Márquez nasceu a 6 de março de 1927, em Aracataca, Colômbia, e faleceu a 17 de abril de 2014, na Cidade do México. Distinguido com o Prémio Nobel de Literatura em 1982, publicou o seu primeiro conto, «A Terceira Resignação», aos vinte anos, e no ano seguinte deu início ao seu percurso jornalístico. Durante mais de meio século dividiu-se entre estes dois ofícios, enfeitiçado pelo «amargo encanto da máquina de escrever». O seu talento narrativo fez dele um escritor fascinante para milhares de leitores. Considerado o expoente máximo do «realismo mágico», afirmou sempre: «Não há nos meus romances uma linha que não seja baseada na realidade.» Foi, definitivamente, o criador de um dos mundos narrativos mais ricos que a língua espanhola produziu no século xx, e o carácter universal da sua obra coloca-o entre os maiores escritores de sempre.