A autora de Livre regressa com uma investigação extraordinária sobre a injustiça histórica, dignidade, verdade e imaginação.
Quando Lea Ypi descobre uma fotografia da sua avó Leman em lua de mel nos Alpes, em 1941, publicada por um desconhecido nas redes sociais, vê- se confrontada com questões perturbadoras. Ao crescer, fora-lhe dito que todos os registos da juventude da avó tinham sido destruídos nos primeiros dias da instauração do regime comunista na Albânia. No entanto, ali estava Leman com o marido, Asllan: recém-casados e a celebrar a ocasião, enquanto a Segunda Guerra Mundial devastava a Europa. O que se segue à descoberta de Ypi é uma «reimaginação» empolgante do passado, que nos proporciona uma viagem pelo mundo desaparecido da aristocracia otomana, pela formação da Grécia e da Albânia modernas, pelos horrores da guerra e pelo eclodir do comunismo nos Balcãs. Ao investigar a verdade sobre a sua família, Ypi debate-se com a incerteza: Quem foi, afinal, a verdadeira Leman Ypi? Épico, íntimo, profundo e envolvente, Indignidade mostra-nos o que significa e implica fazer escolhas contra a corrente da própria História, enquanto revela a fragilidade da verdade coletiva e pessoal. Através de relatórios da polícia secreta sobre espiões comunistas, de depoimentos judiciais e das memórias de Ypi sobre a avó, os leitores movem-se entre o presente e o passado, e entre o arquivo e a imaginação. Com que autoridade moral julgamos os atos das gerações anteriores? E o que sabemos, realmente, sobre as pessoas que nos são mais próximas?