A habitação é um direito constitucional.
Uma sociedade que não garante habitação estável, acessível e digna não falhou apenas numa política pública. Falhou em quase todas as políticas públicas. E falhou na sua capacidade de estruturar o futuro. A habitação não é um setor: é a infraestrutura silenciosa de tudo o resto. Sem casa não há natalidade sustentável, nem saúde mental resiliente, nem mobilidade social, nem produtividade consistente, nem coesão territorial. Há apenas improviso, precariedade e exclusão. Tudo disfarçado de normalidade. Se esta obra cumprir o seu objetivo, não resolverá o problema da habitação em Portugal. Mas, para já, começará a elevar o debate e a integrá-lo em várias perspetivas. Num país onde se governa reagindo aos efeitos em vez de enfrentar as causas, isso, pensamos, já é um passo decisivo.